Você já ouviu falar em fibromialgia?
A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada principalmente por dor generalizada, frequentemente acompanhada de fadiga, alterações do sono e dificuldades cognitivas.
Durante muito tempo, a fibromialgia foi considerada uma condição predominantemente feminina. Estudos mais recentes mostram que essa diferença pode ser bem menor do que se acreditava e que muitos homens podem ter sido subdiagnosticados.
E adivinhem? Eu fui um dos felizes sorteados. Contém ironia.

Há 6 anos, vivia nos EUA e estava particularmente bem em diversos aspectos. Casado, com uma vida estável, conhecendo uma nova cultura. Talvez vivendo o sonho que muitas pessoas idealizam, embora não fosse exatamente o que eu queria para mim.
Acabei atravessando algumas adversidades, como a perda de duas amigas e de minha avó paterna. Fiquei muito triste, mas segui. Com isso, comecei a sentir dores pelo meu corpo. Dores essas que foram se intensificando a cada dia, até chegar ao ponto de eu não conseguir mais andar.

Voltei ao Brasil para fazer alguns exames e descobrir o que, de fato, estaria acontecendo comigo e, ao fim dessa investigação, fui diagnosticado com fibromialgia.
Com muitas dores, praticamente inválido e obrigado a ficar no Brasil, pois havia acabado de começar uma pandemia, fui piorando. Peguei COVID e, daí, foi só ladeira abaixo.

Sem trabalho, separado, sem dinheiro, pois, àquela altura do campeonato, já havia gastado tudo, tendo que voltar a morar com a família e cada vez mais doente, acabei entrando em uma depressão profunda, que só agravava ainda mais a minha situação.
Um certo dia, acordei e me olhei no espelho. Estava em um estado deplorável, no fundo do poço. Nesse dia, eu decidi parar de ter pena de mim e de me sentir uma vítima. Me encarei e disse para mim mesmo: “Você não é uma vítima, você é um vencedor!”
A partir daquele dia, voltei para a academia. Mal aguentava me levantar, mas fui. Algumas pessoas debochavam, porque sou alto, tenho uma estrutura forte, então não entendiam por que eu estava fazendo praticamente uma fisioterapia.

Melhorando um pouco mais, comecei a buscar emprego na área em que sempre trabalhei, que era a área administrativa. Só que não tive sucesso. O cenário socioeconômico pós-pandemia no Brasil não ajudou.
Um belo dia, passando pelo centro do bairro onde morava, vi um lugar oferecendo um curso gratuito de cuidador de idosos. Fiz o curso e outros por fora, me especializando em saúde masculina e Alzheimer. Fiz um perfil no Instagram e logo voltei a trabalhar. Em seguida, comecei a cuidar de jovens PCDs, com paralisia cerebral e condições semelhantes. Ingressei na graduação de medicina veterinária, investi na minha ONG e, desde então, não parei mais.

Tudo isso não aconteceu de um dia para a noite. Foi um processo longo, de muito sofrimento, mas também de muita força de vontade. Eu estava reaprendendo meus limites, reconhecendo meu corpo, reaprendendo a viver.
Ainda convivo com dores diárias, mas elas não são a metade da minha força de viver.
Eu me tornei um vencedor e quero que minha experiência inspire outras pessoas que passam pelo que passei. A vida não acabou, ainda há esperança.
Embora não exista uma receita de bolo para isso, um fator é de extrema importância: reconquistar a fé em si!
O que acontece com nossa identidade quando o corpo deixa de obedecer?
Por que os homens com doenças invisíveis frequentemente são desacreditados?
É possível abandonar o lugar de vítima sem negar o próprio sofrimento?
Reconstruir-se depende somente de força de vontade ou também das oportunidades disponíveis?
E essas perguntas irei abordar em textos futuros. Caso queira compartilhar sua história de superação conosco, me envie um e-mail relatando sua experiência para marques.douglasigor@gmail.com.
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